Vanessa Neri de Souza
Técnica de Segurança do Trabalho
INFRA S.A.
A FIOL cruza caminhos, mas também encontra histórias. Este livro nasce, sobretudo, como reconhecimento da grandeza que há em cada território quilombola que, por séculos, resistem e reafirmam seus modos de vida, sua ancestralidade e suas práticas culturais.
A Infra S.A. é uma empresa pública federal, vinculada ao Ministério dos Transportes que assumiu a missão de transformar o País através de grandes projetos e obras de infraestrutura. Nossa atuação vai muito além da engenharia e da construção; é sobre construir o futuro com planejamento, ética e absoluto compromisso com as normas e diretrizes que regem um desenvolvimento socioeconômico responsável.
Neste contexto, a construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), planejada como um dos eixos estratégicos para o escoamento da produção do interior do país, atravessa espaços densamente carregados de significados históricos e culturais. Entre eles, estão os territórios quilombolas situados no município de Bom Jesus da Lapa/BA, cujas comunidades trazem consigo séculos de resistência, ancestralidade e identidade enraizadas no sertão baiano.
Assim, para que o progresso seja verdadeiramente sustentável, ele deve ser construído com respeito ao meio ambiente, às comunidades e à nossa herança histórico-cultural mais profunda. Gerimos a FIOL com a convicção de que a excelência técnica deve andar de mãos dadas com a responsabilidade social e ambiental. Para tanto, o licenciamento ambiental é um processo técnico e administrativo fundamental para garantir o pilar do desenvolvimento sustentável. É por meio dele que identificamos, avaliamos e mitigamos os impactos de um empreendimento de grande porte, como uma ferrovia.
Dentro deste processo de licenciamento ambiental da FIOL, conduzido sob a exigência de avaliação específica dos impactos sobre as comunidades quilombolas — por meio do Estudo do Componente Quilombola (ECQ) e do Plano Básico Ambiental Quilombola (PBAQ) — evidenciou que não se trata apenas de deslocar populações ou compensar perdas materiais. Trata-se, sobretudo, de reconhecer que a intervenção em territórios tradicionais atinge dimensões simbólicas, espirituais e coletivas indissociáveis da vida quilombola.
Os estudos desenvolvidos pela Infra S.A, com a participação das comunidades quilombolas, ao longo do processo de licenciamento ambiental demostra que, ao mesmo tempo em que reconhecemos a relevância da Ferrovia para o desenvolvimento econômico do País, apontamos para a necessidade de um modelo de progresso que respeite o patrimônio cultural, a memória coletiva e os direitos constitucionais das populações tradicionais evidenciando a sua importância histórico cultural destacando seus processos de formação, suas práticas de resistência e a forma como reinterpretam o presente diante da chegada da ferrovia.
Dedicamos este trabalho às comunidades quilombolas de Bom Jesus da Lapa/BA, cuja trajetória histórica e cultural constitui patrimônio vivo de resistência, memória e identidade coletiva. Aos homens e mulheres que, ao longo de gerações, preservaram saberes, práticas e modos de vida que enriquecem a diversidade cultural do Brasil. E às novas gerações, para que encontrem na valorização da história quilombola não apenas um legado de luta e dignidade, mas também inspiração para a construção de um futuro socialmente justo, inclusivo e plural.
Que os trilhos da FIOL, ao conduzirem o progresso, carreguem também o legado e a trajetória histórica e cultural que constitui patrimônio vivo de resistência, memória e identidade coletiva que nos fortalece e inspira. Que seja ponte entre o desenvolvimento e a memória viva dos quilombos, lembrando que progresso só tem sentido quando inclui todos os povos que tecem o Brasil.
Boa leitura!






